Depoimento Lena Machado

Depoimento Lena Machado

“Se puderem, tenham uma doula”

Eu gostaria de ter falado com você antes, mas só quem passou por um puerpério sabe realmente o que é não ter tempo. Resolvi também fazer de forma pública, até pq foram os relatos de outras mulheres que me fizeram acreditar no parto normal e sem anestesia, em mim também.
Eu e a Doula Lys Ferri nos encontramos quando eu tinha 34 semanas. Ela veio até a minha casa. Ela me ouviu, explicou o papel dela e de que formas ela poderia estar ao nosso lado, mesmo após o nascimento do bebê que ainda não tinha um nome. Naquele dia ela me explicou muitas coisas: falamos sobre a respiração, sobre os métodos de aliviar a dor e a tensão, falamos sobre cirurgias e sobre a importância de aceitar um plano b caso fosse necessário. Naquele dia ela me disse algo que ficou na minha cabeça e que me guiou durante todo o parto: você foi capaz de gestar, tenho certeza de que é capaz de parir e alimentar. Nossa, como eu chorava nesse dia, quem me conhece sabe o quanto isso é difícil, mas eu chorava de soluçar, eu tremia. Tinha medo de não ter leite, de não aguentar a dor, de prejudicar o parto por causa da ansiedade, mas veja bem, é claro que eu era e sou capaz de todas essas coisas!
Combinamos então que quando eu fizesse 38 semanas começariamos a fazer os exercícios que me ajudariam no parto, e apenas as 38 semanas a fim de não iniciar um trabalho de parto prematuro. Ela estaria comigo antes, durante o parto e depois. O único problema era: eu sabia que não chegaria às 38 semanas. Eu senti que tanto eu quanto o Dante já estávamos prontos. Eu já tinha me fechado, falava com poucos amigos, sentia a data chegar e fisicamente sentia que não estávamos mais um uno, já éramos dois. Às 36 semanas ela me convidou pra conhecer a maternidade. Eu, ela e Gabriel iríamos no dia seguinte pela manhã. Deitamos as 22h pra dormir já que tínhamos o compromisso com a doula de manhã. Eu comecei a sentir umas dores, mas como não pegavam ritmo, assumi que eram contrações de treinamento. Tomei um banho quente e voltei pra cama. Dormi até 1:30, acordei com mais dores, ainda sem ritmo. Fiquei de quatro, me alonguei, conversava com o Gabriel, me alongava mais um pouco. Fui ficando mais quieta, mais introspectiva e antes que eu pudesse perceber, eram quatro e algo da madrugada. As dores ainda não tinham ritmo, mas já estavam intensas. Fui ao banheiro e percebi que tinha perdido o tampão e água. Eu também vi sangue. Nesse momento eu senti MUITO medo, tudo, menos perder meu bebezinho. Gabriel ligou pro Samu, em quinze minutos eles chegaram. Desci as escadas sozinha, já sentindo o Dante coroar. Mais quinze minutos até o hospital. Dilatação total, a criança está aqui embaixo. Subimos pra sala de parto. A respiração, a relação da boca e o canal de parto, o círculo de fogo, a força que também vem do seu companheiro, eu me lembrei de todos os ensinamentos que tive, quatro contrações depois, o Dante nasceu. Eu não me lembro da dor, eu só lembro de olhar pro lado e ver que minha família estava completa, antes mesmo do que eu podia imaginar. Obrigada, primavera! Cheguei no quarto as seis e pouca da manhã. Logo, logo me encontrei com a Lys. O turno dela tinha acabado de começar, e que surpresa, que felicidade.
O Dante veio no tempo dele, do jeito dele, naturalmente, exatamente como minha querida doula tinha dito. E lá estava ela, “eu não vou abandonar vocês” ela dizia, e não abandonou mesmo.
Tenham uma doula, amem o plano b de vocês. Às vezes não é como a gente planeja, mas é de maneira ainda melhor. Obrigada por todo o carinho, Lys. A gente nunca mais vai esquecer de você.

Lena Machado

 

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jahlys editor

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